sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Drummond é Apukense!


Muita gente no Reino de Apuka segue preocupado, perguntando:

- E agora José? A festa acabou e a luz apagou!

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
Carlos Drummond de Andrade


Hoje o poeta Carlos Drummond de Andrade comemoraria mais um ano de vida. Ele nasceu em 31 de outubro de 1902. É considerado um dos maiores poetas do Brasil e um dos grandes do mundo.

Talvez a grande preocupação de alguns apukenses é que “no meio do caminho tinha uma pedra”

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade


Para alguns, depois da pedra do caminho, a vida parou!

STOP.
A vida parou
ou foi o automóvel?

Carlos Drummond de Andrade


Em uma “Cidadezinha Qualquer” as coisas vão devagar, mas não aqui, no REINO DE APUKA.

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade


Os mesmos ‘alguns’ que se perguntam “E agora José?” o que fazer depois que “no meio do caminho tinha uma pedra”, culpam o Dia das Bruxas por tudo o que já aconteceu!

Os bichos escrotos (mosca, aranha e barata) saem por aí perguntando "Doçuras ou travessuras?"

Bom fim de semana!
By Dona Aranha.

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